terça-feira, 6 de agosto de 2013

Encontro importante

Solidão é um momento importante e necessário, aquele em que tudo a seu redor fica exponencialmente maior, até as dores, é um encontro consigo mesmo. É o momento de refletir seus valores, sua ética, sua motivação, enfim, seu eu.
É um momento a ser valorizado, é o banimento involuntário do intruso. É o momento de encarar as fraquezas, avaliar a energia restante, traçar estratégias, é um momento especial porque propicia o recolhimento, sair das luzes para sua intimidade. 
Solidão não é maldição, é benção. Somos importantes pra nós mesmos e precisamos tomar consciência disso e, só o faremos, se nos permitirmos ficar a sós.
Então gente, abaixo a depressão e uma amigável solidão pra você também!



segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Seja Feliz | Marisa Monte | 2011



No fundo o que importa é o que interessa!


Sutil diferença




O Belo


Acho que há diferença entre o conceito de belo e  lindo.
Belo é algo que contemplamos à distância, intangível, vive no mundo da abstração.
Lindo é algo palpável, manipulável, faz parte do mundo concreto.
Há uma certa reverência quando alguém classifica um ser animado ou inanimado como belo; quando alguém se expressa dizendo ser lindo o objeto ou a pessoa, imprime uma certa proximidade, uma certa intimidade.
Concluo que alguém belo é alguém distante do observador e alguém lindo é alguém próximo do observador.
A proximidade a que me refiro não necessariamente precisa ser física, há outros vínculos possíveis de aproximar pessoas. Entretanto, quanto ao observador da arte, há sempre um temor reverencial permeando a relação.

domingo, 4 de agosto de 2013

Paixão

Adoro essas imagens sem cor e um único item colorido, quem as criou não sei, mas com certeza era alguém que sabia que as emoções são assim: uma pincelada de tinta em ambiênte cinzento.
É assim a paixão, dá o tom de vivacidade a algo que está opaco, apagado, sem cor.
Acho que sem paixão a pessoa morre um pouco todo dia.
A paixão é o combustível que alimenta a alma.
Que nos apaixonemos diariamente pelas pessoas, pela vida!


sábado, 3 de agosto de 2013

Dedicatória floral

Quero agradecer com essas flores a você que com suas palavras carinhosas e delicadas vem me dando o material que preciso para incrementar meus textos.
Quando resolvi criar o blog não imaginava receber tanta cooperação, obrigada de todo coração. Sem você, com certeza seria muito mais difícil articular textos bons. Desculpe-me se nunca te valorizei o suficiente. Talvez não o tenha feito por ter subestimado sua capacidade de ajudar o próximo, só agora posso ver o quanto você pode ser útil. Espero que goste das flores, se essa espécie não combinar com sua personalidade, desculpe-me mais uma vez, o conhecimento demanda tempo. Caso isto aconteça, sinta apenas o perfume, dizem que o olor das flores é contagiante!

Saco sem fundo






O que te falta???
Quando começas a apelar pra Deus para jogar teus estilhaços é porque tua ausência é a maior de todas e provavelmente nunca será suprida.
Achas mesmo que um detalhe tão pequeno seria capaz de mutilar a alma de um ser? Fácil entender-te, sofres de tamanha pequenez que contentas-te em a acreditar que a ausência de uma moldura será capaz de tamanho estrago. Nãooooooooo, não há essa possibilidade, alguém que se regozija no Soberano e Senhor de tudo, entende como o apóstulo Paulo "Sei viver na abundância e sofrer a falta, pois tudo posso naquele que me fortalece" (grifo nosso).
Não há escassez maior que a ausência de Deus ou a utilização de um Deus instrumental.
Ele sim tudo sabe e vê, inclusive teus intentos destruidores, cuida para que tua moldura não seja desfigurada apesar de tuas posses em que te fias. 

Um pouco de Drummond


Gente esse texto é do meu amado Carlos Drummond, embolo de rir toda vez que leio. Não poderia deixar de compartilhá-lo com vcs. Divirtam-se:

O Professor Limão



- Olha o Limonex, vem geladinho. A melhor pedida contra a poluição!
Como um banhista lhe perguntasse que é que tem a ver o suco de frutas cítricas com a poluição, o vendedor respondeu:
- Primeiro, com a devida licença, me favoreça uma sombra na sua barraca. Isso de pé na areia e lata nas costas o dia inteiro é fogo na Martinica. Ai! Obrigado, ilustre.
Depositou no chão sua mercadoria, sentou-se, abriu em leque os dedos dos pés, para gozar melhor da benção daquela sombra. E ficou um instante olhando o mar, desligado da obrigação de vender refrigerantes, banhista ele também, sócio da onda e do sol.
- Então? Explica o negócio.
- Da polu? Ora, é o seguinte. Poluição não dá só na água, por causa do esgoto, e no ar, por causa da fumaça. Isto é a poluição de fora, o doutor sabe. Tem também a poluição de dentro, a imundície do coração, a fumaça, os gases, essa porcaria toda que a gente carrega no miolo da gente e os outros não manjam, que a gente mesma não manja, mas funciona. E envenena o corpo e o fundo do fundo de dentro. Morou?
- Mais ou menos. E o limão?
- Ora, doutor, o limão corta. Limão é fruta sagrada, tem um princípio ácido que derrete tudo quanto é impureza. Sujeira de dentro não pode com limão. O que eu digo afianço. Tudo isso é muito velho e sabido dos que sabem. De novo só tem essa palavra poluição, que eu comecei a empregar em dezembro, porque está na onda.
-Antes, o que é que você dizia?
- Eu digo o que me vem na boca. Louvado seja o Senhor do Bonfim, minha boca não é de ofender as madamas e cavalheiros. Antes de entrar nessa jogada de vender limonex, eu já respeitava o limão como limpador da alma. Aconteceu comigo, o doutor acredite. Andei uns tempos do lado do demo, com raiva de uma nega que me passou pra trás. Eu via a nega gingar agarrada com outro, e tinha vontade de cortar os dois em fatia de presunto, sabe como é? Fininho, fininho. Me dominava, de que maneira? Infernando a vida dos outros. Pontapé no gato, pontapé no cachorro, cacholeta no vizinho. Botava pra correr quem viesse me dar conselho. Me encarei no espelho e taquei um murro nele: a mão ficou uma ferida. E outros etcéteras. Nisso a minha nega (porque eu já tinha outra nega no lugar daquela, naturalmente) me deu pra beber um copo de caldo de limão puro e disse: “Toma de um gole, Severino e lava tuas mazelas com o poder de Salomão encoberto no limão”. Fiz uma careta, engoli. Quando acabei, estava rindo, rindo pra nega, rindo pro gato e pro vizinho, rindo pra tudo, uma felicidade. Nunca mais pensei com raiva na tal crioula dos meus pecados.
- Bebeu e mudou, na hora?
-Bom, na hora, na hora mesmo, não. Me senti mais pacificado, isso foi. E toda manhã a nega me dava um copo. No fim de um mês, eu era uma limpeza de alma, um jardim de flores naturais. Aí me ofereceram esse serviço de limonex. Como que não havia de topar? Topei. Salve o limão.
- É admirável.
- Não é? Então, vendo o meu limonex e dou de presente a notícia desse bem secreto do limão. Conversa que eu tenho com fregueses como o doutor, que me prestam a devida atenção. No que sou muito grato a sua senhoria. De tanto falar virtudes do limão, ganhei apelido. Me chamam de Professor Limão, bondade deles. Tem aí um colega que é o Doutor Limão, um cara gozado, eu cá trabalho na base da seriedade. Na ciência do positivo.
E, despedindo-se:
- Com a devida licença, muito obrigado, cidadão. Vou pra fornalha. Professor Limão, às suas ordens, do Leme ao Posto Seis, no fogo do verão.