domingo, 22 de novembro de 2015

O pássaro passa...


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Ela abriu a janela, um lindo parapeito, florido, exalando os sândalos tão carinhosamente cultivados. O olor espalhava-se pelo ar. Ele veio, "O" pássaro, lindo, versátil, livre...voava pelo mundo e contemplou sua janela parou por uns instantes inalou aquele cheiro tão característico, apreciou as flores, sorveu o néctar e se foi. Voltou no dia seguinte e no seguinte e no seguinte e voava e voltava.
Era faceiro, alegre, cantante e livre...voava e voltava, voava e voltava, voava e voltava. Ela o amava assim, livre. Nunca lhe perguntava em que paragens se detinha, ela o amava livre.
Um dia ele não mais voltou, nem no dia seguinte e nem no seguinte e nunca mais voltou.
Ela o esperou, ele disse que viria. Ela o esperou porque sabia que ele viria. Ele não veio. Ela chorou e esperou. Esperou dias, meses e ele não veio. Ela o buscou, cantou, espalhou o cheiro de sândalo pelo ar, sussurrou, gritou e ele não veio. Ela fechou a janela. Ela fechou o coração. Ela fechou os olhos. Ela abandonou os sândalos, ela esqueceu o cheiro.
Ela pensou que não havia mais pássaros, o "seu" não mais viria e que importavam outros?
Ela enclausurou-se em seu quarto e a luz não mais entrava, a janela estava fechada. A sombra ganhou forma e cresceu. Um dia ouviu um canto longeeeeeeeeee, quase inaudível, quase incapaz de transpor a janela. Som insistente, irritante até. Era sua alma gritando: abra a janela, há sol e onde há sol há pássaros. Ela relutou: _Porque haveria de querer pássaros, se um dia eles iriam embora?
A vozinha falou: _Porque não? Só há verdadeira doação na liberdade. Que amor sobrevive a cadeias?
Talvez hajam pássaros e talvez irão embora sim, mas virão e virão por seus próprios voos, virão porque irão querer vir e se ficarem é porque sua janela é tão aprazível que nunca irão conseguir viver sem ela.
Ela abriu a janela, o sol penetrou e ela sabe: há pássaros!

sábado, 10 de outubro de 2015

O Primeiro passo

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O Primeiro passo...


Eita quase começando uma nova semana, muita coisa pra acontecer, muita expectativa (boa), muita vontade de bater perna, bater asa, sair do casulo, virar borboleta.
Adoro a música - A Natureza das Coisas.
Fala sobre os diversos estágios de vivência e numa linguagem bem nordestina, que me encanta. Vejam:
Se avexe não
Amanhã pode acontecer tudo
Inclusive nada
Se avexe não
A lagarta rasteja até o dia
Em que cria asas

Se avexe não
Que a burrinha da felicidade
Nunca se atrasa
Se avexe não
Amanhã ela para na porta
Da sua casa
Se avexe não
Toda caminhada começa
No primeiro passo
A natureza não tem pressa
Segue seu compasso
Inexoravelmente chega lá
Se avexe não
Observe quem vai subindo a ladeira
Seja princesa ou seja lavadeira
Pra ir mais alto vai ter que suar.
Essa música é de uma sabedoria infinita, retrata passo a passo a ordem natural de evolução. Ninguém começa por cima, aprendemos a andar, literalmente rastejando e aos poucos vamos nos erguendo, até estarmos prontos para andar, correr, voar.
"Rastejar" é apenas um estágio de evolução, não é humilhante, é necessário. Fortalece a musculatura, propicia conhecimento do terreno, gera segurança.
Então queridos, vivamos cada estágio com intensidade extraindo dele tudo que possa nos legar. Cada um será mais eficaz que o outro, pois já incorporamos o aprendizado necessário. Que possamos sair do casulo, se já estivermos prontos a ser borboletas!

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Enquanto houver sol

O que será essa sensação esquisita, difícil de nominar? Chamá-la de frustração, decepção ou algo do gênero não dá conta de sua magnitude. 
Acho que quando pecamos é mais ou menos assim que Deus se sente, dolorido, triste, febril, decepcionado. Sei que são atributos humanos, é apenas uma forma de fazê-los entender a extensão da dor.
Sabe quando insistimos, acreditamos, perseguimos um objetivo e ele fica cada dia mais distante? Isso, exatamente isso. Você começa a se questionar sobre suas habilidades, capacidade de agregar, chega a quase descrer de suas potencialidades. Não o faz porque possui um conhecimento íntimo a seu respeito e sabe que a falha não é sua. Sabe que infelizmente as desventuras são um evento certo.
Ainda que faça manobras hercúleas em nada resultará. Ai você pensa: não dá! 
Foram investidos todos os esforços, resta agora acalmar o coração e seguir. Sim, porque o seu valor continua com você. 
Atitudes ou omissões alheias não podem modificar o seu caráter. Você chora, mas as lágrimas são irrigação. A dor é sempre terapêutica, nunca é em vão.
Levanta a cabeça! Crê que deu o seu melhor, se aquilo que desejou tão fortemente não aconteceu tem certeza que o problema não está em você. 
A vida é uma sequência de atos voluntários, somos impelidos por aquilo em que acreditamos, por isso jamais podemos nos envergonhar. 
Somos nossa entrega, nossa prontidão, nossa fé, nosso amor e disso não podemos fugir. 
Se nossos ideais são frustrados é tão somente porque o dirigimos a outros e não temos poder sobre a vida dos outros. Não podemos mudar nada, não podemos exigir nada.
Se as atitudes alheias, a princípio,  nos levam a crer em uma compatibilidade de interesses que não se consuma, ou estamos vendo de forma turvada ou houve leviandade nas intenções.
Mas independente da causa, resta-nos plantar os pés no chão, sufocar as lágrimas e crer que amanhã o sol volta a nascer, novas histórias acontecerão, novas posturas de si e dos outros são passíveis de análise e acima de tudo Deus está vivo!
Isto faz a total diferença porque prometeu que nos enviaria o Espírito Santo e ele nos ensinaria tudo.
Um dia o paraíso de nossa mente será realidade palpável, eu creio. Afinal, sonhar é um exercício de sobrevivência.
Que o diga José do Egito.

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Se entrega, porque não?




Tá chegando o dia dos namorados, a hora da onça beber água...kkkkkkk Há perfis para todos os gostos. Os verdadeiramente apaixonados, enamorados. Os paraguaios, os indecisos, os paredistas e por ai.
Aos apaixonados desejo que a cada dia a paixão cresça e se transforme em um lindo amor.
Aos "paraguaios", desejo que o produto que venderem seja autêntico ao menos na capacidade de lhes retribuir outro com a mesma qualidade e características.
Aos indecisos, desejo conhecimento para que saibam escolher e,
aos paredistas, aqueles que têm medo de se entregar, desejo que se lancem e descubram que quem ama vive de suas próprias emoções, é cada dia mais autêntico e exercita a arte da paciência.
Seja vc e não se preocupe com o agir ou o retorno do outro, prq o máximo que pode acontecer é vc se descobrir um potencial amante. E amor é de Deus, seja qual for o desfecho!

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Jacaré parado...





Quem foi que disse que dá pra parar? Se disse, desdiga porque não dá, se parar morre.
a vida é pulsão, é sangue circulando.
Circula, gira, roda, dê seu jeito, mas não pare.
Todos os santos dias ela, a vida, se oferece. Trás novidades, surpresas
e você vai ficar boquiaberto e ver a vida passar?
Nãoooooooooo, vai circula. Corre, pega, segura.
-Ah, mas não era isso que eu queria e daí?
Né assim não meu bem, ela é presepeira e trás surpresas, sabe o que é isso? Sim, aquilo que você não esperava, não imaginava e chegou. 
Chegou com força, com vontade. Não respeita suas escolhas, seus interesses?kkkkkkkknem esses.
Chega e diz: cheguei, se não abrir eu arrebento e entro.
Não se deixe abater, se aquela porta em que você tanto bate não se abre. Olhe ao redor, há outras portas, abertinhas, se oferecendo e quem disse que não presta? Vá lá e descubra!
Descobri tudo isso agorinha mesmo. Não tem 10 minutos. Viram? A vida se oferece!
Não dá pra parar, não dá pra se negar a viver, tem que se reinventar quantas milhões de vezes for preciso. Sabe porque? Simples, jacaré parado, vira bolsa de madame.

terça-feira, 2 de junho de 2015

Cataventos




Li ainda há pouco um texto de um poeta brasileiro que fala sobre cataventos. A expressão é estranha para alguns e bem familiar a outros.
Sabem aquela brincadeira infantil em que dobrávamos papel e colávamos em um palito? - Não era assim, na verdade nem era uma dobradura exatamente, tá vcs venceram. Era algo fácil, ocorre que agora não lembro como se fazia, ora!
Posso ter esquecido o processo de criação, mas as cores que se misturam ao vento, as formas que pensávamos ver enquanto ele não sumia ganhando velocidade, isso nunca vou esquecer.
Genteeeeeeeee! Isso era maravilhoso, as crianças sempre queriam aqueles mais coloridos e reluzentes, feitos com papel luminoso...azuis vivos, vermelhos berrantes, tinha também os cor de vinho, amarelos, verdes, prata...tinha também os multicores, todos luminosos. Era uma aquarela esvoaçante, a gente competia, todos queriam que o seu fosse mais bonito e girasse mais rápido. 
-Aiiiiiiiiiii, quebrou!
Eram torrentes de lágrima, inconsoláveis. Não tinha jeito, pra secar essa fonte inesgotável que se propunha a banhar a rua, só outro catavento.
E lá estavam eles, catavento e o chorão, agora todo sorrisos. A dor cessava mais rápido que dor de parto quando o bb escorrega. 
Época igual nunca mais se verá, agora os cataventos são virtuais, não há mais palito e vento natural. Agora é um mouse e uma série de combinações binárias que fazem nosso catavento girar. 
Aiiiiiiiiii que saudade da festa que fazíamos com nossos brinquedinhos lá na rua da casa de mãe!