sexta-feira, 8 de abril de 2016

Sem tinteiro

Silêncio é ver secando aos poucos o tinteiro, secando aos poucos a pena e não sentir necessidade de repor ou molhar...
Silêncio é quando intermináveis textos são por vezes desprezados a ponto de perderem o sentido e a direção.
Silêncio é quando se constata que a eloqüência é um eco que ressoa apenas no emissor.
Silêncio é quando calar é a única forma de encontrar dignidade.
Silêncio é a negação de uma entrega inútil.
Enfim, silêncio é ato de rebeldia, é a revolução dos inocentes.

Psiu!

Silêncio é ver secando aos poucos o tinteiro, secando aos poucos a pena e não sentir necessidade de repor ou molhar...
Silêncio é quando intermináveis textos são por vezes desprezados a ponto de perderem o sentido e a direção.
Silêncio é quando se constata que a eloqüência é um eco que ressoa apenas no emissor.
Silêncio é quando calar é a única forma de encontrar dignidade.
Silêncio é a negação de uma entrega inútil.
Enfim, silêncio é ato de rebeldia, é a revolução dos inocentes.

domingo, 27 de março de 2016

Posse

Você sai de minha vida, mas  nunca do coração e do corpo. Tatuagem que nem laser debela. Meus gemidos são teus, meus gritos são teus, minhas contorções são tuas...tudo é teu. 

sábado, 5 de março de 2016

Gemidos

Dias de angústias, sussuros que cortam a noite, parecem se misturar ao suor numa dança frenética. São mais que isso, são gritos de um animal ferido, são reclamos. Ah! Quem dera o abraço, quem dera uma única mão a enxugar a lágrima que insiste em cair...sim são gemidos, antes fossem a expressão do êxtase.

domingo, 22 de novembro de 2015

O pássaro passa...


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Ela abriu a janela, um lindo parapeito, florido, exalando os sândalos tão carinhosamente cultivados. O olor espalhava-se pelo ar. Ele veio, "O" pássaro, lindo, versátil, livre...voava pelo mundo e contemplou sua janela parou por uns instantes inalou aquele cheiro tão característico, apreciou as flores, sorveu o néctar e se foi. Voltou no dia seguinte e no seguinte e no seguinte e voava e voltava.
Era faceiro, alegre, cantante e livre...voava e voltava, voava e voltava, voava e voltava. Ela o amava assim, livre. Nunca lhe perguntava em que paragens se detinha, ela o amava livre.
Um dia ele não mais voltou, nem no dia seguinte e nem no seguinte e nunca mais voltou.
Ela o esperou, ele disse que viria. Ela o esperou porque sabia que ele viria. Ele não veio. Ela chorou e esperou. Esperou dias, meses e ele não veio. Ela o buscou, cantou, espalhou o cheiro de sândalo pelo ar, sussurrou, gritou e ele não veio. Ela fechou a janela. Ela fechou o coração. Ela fechou os olhos. Ela abandonou os sândalos, ela esqueceu o cheiro.
Ela pensou que não havia mais pássaros, o "seu" não mais viria e que importavam outros?
Ela enclausurou-se em seu quarto e a luz não mais entrava, a janela estava fechada. A sombra ganhou forma e cresceu. Um dia ouviu um canto longeeeeeeeeee, quase inaudível, quase incapaz de transpor a janela. Som insistente, irritante até. Era sua alma gritando: abra a janela, há sol e onde há sol há pássaros. Ela relutou: _Porque haveria de querer pássaros, se um dia eles iriam embora?
A vozinha falou: _Porque não? Só há verdadeira doação na liberdade. Que amor sobrevive a cadeias?
Talvez hajam pássaros e talvez irão embora sim, mas virão e virão por seus próprios voos, virão porque irão querer vir e se ficarem é porque sua janela é tão aprazível que nunca irão conseguir viver sem ela.
Ela abriu a janela, o sol penetrou e ela sabe: há pássaros!

sábado, 10 de outubro de 2015

O Primeiro passo

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O Primeiro passo...


Eita quase começando uma nova semana, muita coisa pra acontecer, muita expectativa (boa), muita vontade de bater perna, bater asa, sair do casulo, virar borboleta.
Adoro a música - A Natureza das Coisas.
Fala sobre os diversos estágios de vivência e numa linguagem bem nordestina, que me encanta. Vejam:
Se avexe não
Amanhã pode acontecer tudo
Inclusive nada
Se avexe não
A lagarta rasteja até o dia
Em que cria asas

Se avexe não
Que a burrinha da felicidade
Nunca se atrasa
Se avexe não
Amanhã ela para na porta
Da sua casa
Se avexe não
Toda caminhada começa
No primeiro passo
A natureza não tem pressa
Segue seu compasso
Inexoravelmente chega lá
Se avexe não
Observe quem vai subindo a ladeira
Seja princesa ou seja lavadeira
Pra ir mais alto vai ter que suar.
Essa música é de uma sabedoria infinita, retrata passo a passo a ordem natural de evolução. Ninguém começa por cima, aprendemos a andar, literalmente rastejando e aos poucos vamos nos erguendo, até estarmos prontos para andar, correr, voar.
"Rastejar" é apenas um estágio de evolução, não é humilhante, é necessário. Fortalece a musculatura, propicia conhecimento do terreno, gera segurança.
Então queridos, vivamos cada estágio com intensidade extraindo dele tudo que possa nos legar. Cada um será mais eficaz que o outro, pois já incorporamos o aprendizado necessário. Que possamos sair do casulo, se já estivermos prontos a ser borboletas!

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Enquanto houver sol

O que será essa sensação esquisita, difícil de nominar? Chamá-la de frustração, decepção ou algo do gênero não dá conta de sua magnitude. 
Acho que quando pecamos é mais ou menos assim que Deus se sente, dolorido, triste, febril, decepcionado. Sei que são atributos humanos, é apenas uma forma de fazê-los entender a extensão da dor.
Sabe quando insistimos, acreditamos, perseguimos um objetivo e ele fica cada dia mais distante? Isso, exatamente isso. Você começa a se questionar sobre suas habilidades, capacidade de agregar, chega a quase descrer de suas potencialidades. Não o faz porque possui um conhecimento íntimo a seu respeito e sabe que a falha não é sua. Sabe que infelizmente as desventuras são um evento certo.
Ainda que faça manobras hercúleas em nada resultará. Ai você pensa: não dá! 
Foram investidos todos os esforços, resta agora acalmar o coração e seguir. Sim, porque o seu valor continua com você. 
Atitudes ou omissões alheias não podem modificar o seu caráter. Você chora, mas as lágrimas são irrigação. A dor é sempre terapêutica, nunca é em vão.
Levanta a cabeça! Crê que deu o seu melhor, se aquilo que desejou tão fortemente não aconteceu tem certeza que o problema não está em você. 
A vida é uma sequência de atos voluntários, somos impelidos por aquilo em que acreditamos, por isso jamais podemos nos envergonhar. 
Somos nossa entrega, nossa prontidão, nossa fé, nosso amor e disso não podemos fugir. 
Se nossos ideais são frustrados é tão somente porque o dirigimos a outros e não temos poder sobre a vida dos outros. Não podemos mudar nada, não podemos exigir nada.
Se as atitudes alheias, a princípio,  nos levam a crer em uma compatibilidade de interesses que não se consuma, ou estamos vendo de forma turvada ou houve leviandade nas intenções.
Mas independente da causa, resta-nos plantar os pés no chão, sufocar as lágrimas e crer que amanhã o sol volta a nascer, novas histórias acontecerão, novas posturas de si e dos outros são passíveis de análise e acima de tudo Deus está vivo!
Isto faz a total diferença porque prometeu que nos enviaria o Espírito Santo e ele nos ensinaria tudo.
Um dia o paraíso de nossa mente será realidade palpável, eu creio. Afinal, sonhar é um exercício de sobrevivência.
Que o diga José do Egito.