
O eco é aquela voz que reverbera pelo ambiente até morrer, é uma conversa consigo mesmo. É o grito do silêncio se propagando até perder toda a força e sumir como se fosse recolhido a seu lugar de origem. Mas volta com toda sua força, desde que o exijam as circunstâncias. Assim são as perguntas para as quais não obtemos resposta, essas perguntas são feitas a nós mesmos e encontram guarida no silêncio, no grande silêncio de nossas almas.
São vozes insistentes que clamam por uma racionalidade nada convincente. São insistências mudas, obstinadas. Estão ali, mesmo que as queiramos abandonar, incômodas, invasivas, chatas.
É um eu tinhoso com a pretensão de ser nós; é a busca por uma resposta que de tão óbvia conduz à banalidade. É o ver sem querer crer. É o ápice da insensatez, sim, o momento de total abandono do bom senso para dar lugar a uma credulidade patética.
Como silenciar tamanho vilão a ponto de deixá-lo mudo para sempre? Seria a fria e dura constatação de uma realidade subconscientemente rejeitada? Seria deixar ao destino a tarefa de sepultá-lo? Seria adquirir o cinismo dos arrogantes? Seria melhor converter-se ao ceticismo? Qual o remédio mais eficaz?
Todas essas indagações nada mais são que a externalização do eco, ressoando nesse papel virtualizado. Não, não há como exterminá-lo enquanto não for vivido o luto. O luto é a forma concreta de se desfazer de algumas bagagens, sejam elas pesadas ou leves, concretas ou abstratas.
Se insistirmos em pular etapas, todo o esforço será inútil, resultará em desarmonia espiritual e trará sérios prejuízos as relações no mundo físico.
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