Quero traçar algumas considerações acerca do programa universidade para todos, que é visto por alguns como uma concessão desnecessária e pesada ao bolso do cidadão. Queridos amigos a quem respeito e admiro, quero dizer que sou de uma geração onde as vagas de cursos considerados de elite, sofriam de certa forma uma reserva de mercado em instituições públicas. Medicina, engenharia, direito e por algum tempo psicologia, eram considerados cursos para uma pequena parcela da população. Aqueles que possuíam uma base equilibrada entre humanas e exatas, por terem tido acesso às melhores escolas privadas e por disporem de tempo integral para dedicação ao estudo. Do universo de vagas disponíveis, 1% era conquistado por filhos de pobres e favelados, desse 1%, 90% obtinha o privilégio de estudar o dia inteiro, para suprir a deficiência em alguma área de conhecimento, os 10% restantes eram os CDF'S que conseguiam conciliar trabalho e estudo. A reserva a que me refiro se dava não prq os pobres fossem vagabundos, mas prq precisavam trabalhar precocemente, a maioria a partir de 15 anos de idade, para colaborar com o orçamento familiar. Lembro-me que quando prestei vestibular para uma instituição pública, gostaria de me candidatar ao curso de direito, mas sabia de minhas limitações que possivelmente me deixariam de fora, exceto se não dormisse mais e estudasse a noite inteira, prq de dia trabalhava em uma padaria, das 6:00h às 19:00h. Restou - me a candidatura e aprovação no curso de História, que a época, não tinha quase procura. Essa era a realidade geral, sobrando para nós os cursos menos procurados. Lembro-me tbm de um parente que tentou psicologia por três vezes, até desistir e ser aprovado em Educação Artística, curso que não tinha muita procura. Lamento que a memória de alguns seja fraca e venham hoje a dizer que as oportunidades eram iguais. Essa afirmação é uma leitura rasteira do contexto. Hoje com o PROUNI, ampliaram-se consideravelmente as oportunidades de acesso à universidade, não que se tenham afrouxado os critérios, mas prq com a parceria com a iniciativa privada, temos mais vagas e acesso a cursos como medicina, engenharia e direito. Tenho na família 7estudantes em instituições públicas, alguns já formados, inclusive em engenharia, mas desses, a menor parte conciliou trabalho e estudo no momento do ingresso.
Logo, só posso concluir que o PROUNI foi e será, enquanto não for extinto, um programa que favorece a maioria da população e significa acessibilidade. Quanto a valorizar e se dedicar é outra questão. Os que sabem aproveitá-lo, serão eternamente gratos a essa iniciativa do governo.
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