Escrever é um exercício de entrega, é entregar-se à contemplação de um momento, de um objeto, de uma música, de um poema. Muitos elementos que vêm povoar sua mente, quase sempre imaginários, sem concretude alguma à espera de que lhes seja dada forma.
Escrever é sobretudo doação, dar-se um pouco para que o outro tenha oportunidade de prescrutar um caminho até então visto apenas sob a ótica do artífice das palavras.
Escrever é ato solitário, quase uma missão. É perder a companhia para trazer uma boa nova ou apenas um novo ângulo.
Escrever é extrair de sua visão de mundo, as possíveis visões dos outros.
Escrever é degustar os elogios em detrimento da cinestesia, é obter o prêmio do reconhecimento ao invés de sorver o beijo da lascívia.
Escrever é vocação, vocação para a amplitude, para os voos altos, para o desbravamento.
Escrever é escolher ter voz ao invés de calar-se ante o temor de interpretações medíocres.
Escrever é essência, escrever é ser eu.
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