Aprendi quando estudante do curso de história que as civilizações antigas, imperialistas por natureza, ao empreender suas conquistas derramavam muito sangue. Culturalmente aprendemos a associar a cor vermelha a sangue. Ao ser veiculada a trilogia cinematográfica - A liberdade é azul; a igualdade é branca e a fraternidade é vermelha (não assisti a nenhum deles) fiquei bastante intrigada, pois como seria vermelha a fraternidade? Mais coerente seria pensá-la branca.
A partir de então, passei a refletir incansavelmente, sem resposta, pois não a busquei entre os estudiosos do assunto. Passaram-se mais ou menos 20 anos e só agora pude obter uma resposta a minha dúvida, embora não a tendo buscado diretamente. Ocorre que em uma aula despretenciosa da disciplina Tópicos integrados de direitos fundamentais, o profº nos falou da teoria das gerações dos direitos fundamentais desenvolvida por Karel Vasak. Falou-nos sobre as críticas que circundam essa teoria, chegando então à pessoa de Cansado Trindade, que em algum momento pode questionar Karel Vasek acerca de como elaborou a tese. Para minha surpresa não houve nenhum método científico que norteou sua pesquisa, na verdade, não houve pesquisa alguma. Tratou-se de eleição aleatória às cores da bandeira da França.
Classificou em 1ª, 2ª e 3ª gerações seguindo a ordem das cores estampadas na bandeira; portanto, a liberdade é azul (1ª geração); a igualdade é branca (2ª geração) e por conseguinte, a fraternidade é vermelha (3ª geração).
De fato convenci-me que minhas dúvidas faziam sentido; como conceber a fraternidade sendo vermelha, se muitos países vivem em disputas constantes, deflagrando guerras e derramando sangue, sendo isso motivo de mobilização pela paz? Seria muito mais plausível vê-la associada a cor branca, culturalmente representativa da paz.
Sinto-me aliviada e feliz por perceber que sempre há tempo para aprender!

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