segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Marcas





As marcas existem, são reais. Fazem parte do cotidiano e nos revelam a dor de crescer. Ainda que sejam boas geram dor, a dor da saudade quando se vão. 
Que aprendizado difícil é aquele gerado pelas marcas, somos nesse momento semelhantes aos animais predestinados ao abate. São marcados a fogo para que possam ser distinguidos pelo dono. 
Em um mundo capitalista todas as formas de relações são permeadas pela propriedade. Cada manifestação de vontade exprime um forte teor de marcação de terreno. Será que ainda veremos em algum ser, entregas destituídas de posse? 
É impossível não refletir sobre esses aspectos pois mesmo que a relação não tenha nenhuma conexão com finanças ou profissões, vemos nítida a preocupação em imprimir a marca do poder, do controle. As relações afetivas foram forjadas em parâmetros de "conquistas" aos moldes do imperialismo, onde conquistar significava excluir e subjugar um povo, apossando-se de seus despojos. 
Terminantemente amor não se coaduna com posse. Amar é sobretudo deixar livre, dar opções, revelar-se. Sim, sem conhecimento não há escolha. 
A história é repleta de fatos que comprovam essa verdade. Se os americanos soubessem quem eram os espanhóis, os escolheriam? 
A relação de propriedade é nociva, pois escraviza pessoas e sentimentos, é a verdadeira coisificação e quem não se enquadra nesse diapasão, termina por ficar à margem. 
Amor tem se mostrado nesse contexto, um sentimento solitário, pois despossuído. 
Aquele que não sabe amar ou se deixar amar, dentro do modelo ardiloso e segregador que ai está, carrega consigo marcas profundas. Marcas recorrentes que antes de cicatrizarem já terão sobre si novas formações. 
O amor genuíno agoniza, que dooooooooor! Será que ainda veremos disposições francas, honestas, sinceras, de entrega? Será que teremos mesmo que nos render a esse modelo mesquinho e escravizante?  
Nãooooooooooooooo! Sei que há em algum lugar um remanescente. Sei que por amor de um que seja, valerá a pena crer na existência de um Éden, antes da queda, é claro. 
Sei que não viríamos dotados de capacidade de amar se tivéssemos que a cada situação provar que somos guerreiros. Não, há alguma forma de amar que seja simplesmente amor, que não seja uma arena sangrenta, pronta a testar nosso potencial destrutivo. 
Deus é o mesmo, ontem, hoje e sempre e seu amor um dia será derramado nos corações, os quais se renderão e verão a luz.

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